Como eu gosto de ver a inocência das pessoas. Confesso que nada me dá mais prazer do que olhar nos olhos de alguém e sentir a sua inocência...
Outra coisa que também mexe muito comigo é a burrice. Acho que nunca houve verdadeiramente desculpa para a burrice mas nos dias que correm, em que podemos pesquisar, estudar, ler sobre qualquer assunto em qualquer lugar, ainda me chateia mais.
Gostei de ver a autoridade das pessoas no Facebook a partilhar uma mensagem que dizia que proibiam qualquer entidade de "mexer" no seu mural, bem como na informação que lá se encontrava e apregoar ainda ao seu direito de privacidade.
Confesso que fiquei enternecido ao ver uma corrente de mensagens. Já tinha saudades do tempo em que as pessoas faziam correntes de mails para ajudar os amigos a alcançar a pessoa amada. Lembro-me que aderia a essas correntes e nunca cheguei a perceber porquê que a Kournikova nunca me apareceu à porta de casa quando eu tinha 17 anos. Quero acreditar que naquele tempo as viagens Rússia-Portugal eram caras e que esse foi o único motivo que nos impediu de sermos felizes...
Mas voltemos à privacidade: acho bem que pessoas que partilham fotos das suas férias, familiares e amigos, avisem os outros para onde vão, com quem estão, a fazer o quê e quando, se queixem de devassa da privacidade. Concordo ainda que pessoas que disseram "Sim" aos termos e condições de uma rede social, conhecida pela partilha, se indignem por poderem ver a sua vida ser explorada por outros!
Ora bolas, então não tenho o direito de pôr toda a minha informação pessoal na internet, de livre e espontânea vontade, e depois apelar à privacidade? Pois, se calhar não tenho...
Disfarce Perfeito
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Wind of Change
O mundo está a mudar!
Numa altura em que várias pessoas afirmam que enfrentamos não só uma crise económica mas uma enorme crise de valores eu venho aqui dizer que não concordo e, para tal, apresento provas de como não estamos perante uma crise desse género mas a passar por um período de reciclagem de valores.
Ao longo das minhas férias fui acompanhando com interesse o que se passava neste momento nos EUA nomeadamente no que diz respeito à "Corrida pela Casa Branca".
Estou a reagir com particular interesse às declarações fabulosas do candidato republicano Mitt Romney. Acho de enaltecer a forma como defende o aumento do orçamento para o Departamento da Defesa, a forma como promete acabar com a reforma na saúde levada a cabo por Obama, a forma como defende a não regulação do mercado de armas de fogo e a forma como pretende ostracizar os homossexuais, entre outras medidas.
Mitt Romney merece a nossa mais profunda admiração. Para além de ser um homem que toca nos temas estruturantes de uma nação, prova aquilo que a ciência, até à data, negava: a espécie Homo Neanderthalensis, mais conhecida como Homem-de-Neandertal, não está extinta! Apesar das nítidas dificuldades na estruturação do pensamento e na compreensão de fenómenos e situações sociais simples, não se pode pedir mais a um ser que se julgava extinto desde o Paleolítico Médio.
O facto de Mitt Romney defender esta linha de medidas a tomar e por só se encontrar nas sondagens a 3% do Presidente Obama, acredito que não estamos a passar por uma crise de valores mas estamos sim a resgatar valores antigos da nossa sociedade. Se esses valores são de há 30 mil anos atrás, isso não importa.
Numa altura em que várias pessoas afirmam que enfrentamos não só uma crise económica mas uma enorme crise de valores eu venho aqui dizer que não concordo e, para tal, apresento provas de como não estamos perante uma crise desse género mas a passar por um período de reciclagem de valores.
Ao longo das minhas férias fui acompanhando com interesse o que se passava neste momento nos EUA nomeadamente no que diz respeito à "Corrida pela Casa Branca".
Estou a reagir com particular interesse às declarações fabulosas do candidato republicano Mitt Romney. Acho de enaltecer a forma como defende o aumento do orçamento para o Departamento da Defesa, a forma como promete acabar com a reforma na saúde levada a cabo por Obama, a forma como defende a não regulação do mercado de armas de fogo e a forma como pretende ostracizar os homossexuais, entre outras medidas.
Mitt Romney merece a nossa mais profunda admiração. Para além de ser um homem que toca nos temas estruturantes de uma nação, prova aquilo que a ciência, até à data, negava: a espécie Homo Neanderthalensis, mais conhecida como Homem-de-Neandertal, não está extinta! Apesar das nítidas dificuldades na estruturação do pensamento e na compreensão de fenómenos e situações sociais simples, não se pode pedir mais a um ser que se julgava extinto desde o Paleolítico Médio.
O facto de Mitt Romney defender esta linha de medidas a tomar e por só se encontrar nas sondagens a 3% do Presidente Obama, acredito que não estamos a passar por uma crise de valores mas estamos sim a resgatar valores antigos da nossa sociedade. Se esses valores são de há 30 mil anos atrás, isso não importa.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Almoço na esplanada
Não gosto de almoçar sozinho. Por isso, sempre que posso, vou a uma qualquer esplanada trincar uma sandes e beber o meu sumo. Estava na parte do cigarro e do café quando duas mulheres, na casa dos 25 anos, sentaram-se à minha frente.
Ao início fiquei um bocadinho triste porque taparam-me a vista da praia (e como a praia hoje estava bonita...) mas, o meu almoço não podia ter tido melhor final.
O que parecia ser uma bonita conversa entre duas pessoas afinal revelou-se ser um monólogo no qual uma das mulheres debitava informação em quantidades industriais a uma velocidade impressionante, e a amiga coitada, não conseguia interromper, mudar de assunto, opinar. Em suma, só sorria e abanava a cabeça em sinal afirmativo.
Gosto de ser discreto quando estou a observar alguém, e como já me disseram que tenho tendência a olhar directamente para as pessoas que observo, refugio-me agora no velho truque do "leitor de esplanada". Este truque é muito simples, basta trazer um livro de casa e sempre que se quiser escutar uma conversa alheia é fazer de conta que o livro está no seu melhor e não tirar os olhos das páginas. Convém ir mudando, de vez em quando, de páginas. Afinal é um truque para espiar pessoas, não fica bem ser apanhado a espiar...
Voltando às minhas companheiras de esplanada: lá estavam elas, uma a contar toda uma experiência significativa de vida e a outra desgraçada, já a esforçar-se para manter o sorriso, lá estava a incentivar a outra na sua história desinteressante. Sim, dei-me ao trabalho de ouvir um bocadinho mas aborreceu-me tanto que desisti. Preferi contar mentalmente a quantidade de palavras que a rapariga dizia sem inspirar (houve uma altura em que conseguiu uma sequência impressionante de 24 palavras seguidas! Estive quase para me levantar e ir dar-lhe os parabéns), as vezes que repetia a mesma frase na esperança que a amiga fizesse um "uau" (quase sempre o "uau" vinha na primeira repetição, mas a oradora gostava de repetir sempre mais uma vez) e mais algumas características fascinantes que, de momento, não me recordo.
Sei que depois deste episódio reflecti um pedaço e percebi que almoçar sozinho afinal não é tão mau quanto parece. Aproveitei o livro aberto e retomei a leitura do ponto onde tinha deixado no dia anterior.
Ao início fiquei um bocadinho triste porque taparam-me a vista da praia (e como a praia hoje estava bonita...) mas, o meu almoço não podia ter tido melhor final.
O que parecia ser uma bonita conversa entre duas pessoas afinal revelou-se ser um monólogo no qual uma das mulheres debitava informação em quantidades industriais a uma velocidade impressionante, e a amiga coitada, não conseguia interromper, mudar de assunto, opinar. Em suma, só sorria e abanava a cabeça em sinal afirmativo.
Gosto de ser discreto quando estou a observar alguém, e como já me disseram que tenho tendência a olhar directamente para as pessoas que observo, refugio-me agora no velho truque do "leitor de esplanada". Este truque é muito simples, basta trazer um livro de casa e sempre que se quiser escutar uma conversa alheia é fazer de conta que o livro está no seu melhor e não tirar os olhos das páginas. Convém ir mudando, de vez em quando, de páginas. Afinal é um truque para espiar pessoas, não fica bem ser apanhado a espiar...
Voltando às minhas companheiras de esplanada: lá estavam elas, uma a contar toda uma experiência significativa de vida e a outra desgraçada, já a esforçar-se para manter o sorriso, lá estava a incentivar a outra na sua história desinteressante. Sim, dei-me ao trabalho de ouvir um bocadinho mas aborreceu-me tanto que desisti. Preferi contar mentalmente a quantidade de palavras que a rapariga dizia sem inspirar (houve uma altura em que conseguiu uma sequência impressionante de 24 palavras seguidas! Estive quase para me levantar e ir dar-lhe os parabéns), as vezes que repetia a mesma frase na esperança que a amiga fizesse um "uau" (quase sempre o "uau" vinha na primeira repetição, mas a oradora gostava de repetir sempre mais uma vez) e mais algumas características fascinantes que, de momento, não me recordo.
Sei que depois deste episódio reflecti um pedaço e percebi que almoçar sozinho afinal não é tão mau quanto parece. Aproveitei o livro aberto e retomei a leitura do ponto onde tinha deixado no dia anterior.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
"The only thing you can rely on is that you can't rely on anything" - Placebo
Ouvindo casais aleatoriamente apercebi-me que estão todos formatados para afirmar, sem qualquer tipo de reservas, que a confiança é das condições mais importantes para se ter uma relação feliz e duradoura.
Acredito que a confiança seja fundamental para uma relação duradoura, mas feliz? Não creio. Aliás, para mim, confiança provoca numa relação o mesmo que a ausência de sal provoca na comida: faz muito bem à pressão arterial mas não sabe tão bem quanto poderia saber.
A confiança asfixia uma relação.
Quem ama cuida, quem cuida protege e quem protege desconfia.
A desconfiança aqui retratada não é o mesmo que ciúme obsessivo. Não, esta desconfiança permite não dar tudo como um dado adquirido, fazendo com que andemos constantemente com a pulga atrás da orelha. Ao estarmos desconfiados vamos estar mais atentos à outra pessoa. Não é de falta de atenção que muitos casais se queixam?
Acredito que a confiança seja fundamental para uma relação duradoura, mas feliz? Não creio. Aliás, para mim, confiança provoca numa relação o mesmo que a ausência de sal provoca na comida: faz muito bem à pressão arterial mas não sabe tão bem quanto poderia saber.
A confiança asfixia uma relação.
Quem ama cuida, quem cuida protege e quem protege desconfia.
A desconfiança aqui retratada não é o mesmo que ciúme obsessivo. Não, esta desconfiança permite não dar tudo como um dado adquirido, fazendo com que andemos constantemente com a pulga atrás da orelha. Ao estarmos desconfiados vamos estar mais atentos à outra pessoa. Não é de falta de atenção que muitos casais se queixam?
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