quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Aquela coisa chamada Privacidade

Como eu gosto de ver a inocência das pessoas. Confesso que nada me dá mais prazer do que olhar nos olhos de alguém e sentir a sua inocência...

Outra coisa que também mexe muito comigo é a burrice. Acho que nunca houve verdadeiramente desculpa para a burrice mas nos dias que correm, em que podemos pesquisar, estudar, ler sobre qualquer assunto em qualquer lugar, ainda me chateia mais.

Gostei de ver a autoridade das pessoas no Facebook a partilhar uma mensagem que dizia que proibiam qualquer entidade de "mexer" no seu mural, bem como na informação que lá se encontrava e apregoar ainda ao seu direito de privacidade.

Confesso que fiquei enternecido ao ver uma corrente de mensagens. Já tinha saudades do tempo em que as pessoas faziam correntes de mails para ajudar os amigos a alcançar a pessoa amada. Lembro-me que aderia a essas correntes e nunca cheguei a perceber porquê que a Kournikova nunca me apareceu à porta de casa quando eu tinha 17 anos. Quero acreditar que naquele tempo as viagens Rússia-Portugal eram caras e que esse foi o único motivo que nos impediu de sermos felizes...

Mas voltemos à privacidade: acho bem que pessoas que partilham fotos das suas férias, familiares e amigos, avisem os outros para onde vão, com quem estão, a fazer o quê e quando, se queixem de devassa da privacidade. Concordo ainda que pessoas que disseram "Sim" aos termos e condições de uma rede social, conhecida pela partilha, se indignem por poderem ver a sua vida ser explorada por outros!

Ora bolas, então não tenho o direito de pôr toda a minha informação pessoal na internet, de livre e espontânea vontade, e depois apelar à privacidade? Pois, se calhar não tenho... 

1 comentário:

  1. Ora bem, tocaste na ferida de (quase) todos nós, que partilhamos a nossa privacidade leviana e ingenuamente nas redes sociais... Neste leviana/ingenuamente não me refiro apenas a quem não tem limites nas suas partilhas.. Se nos debruçarmos bem sobre o tema, o facto de colocarmos à exposição de tanta gente fotografias nossas e dos que nos são queridos que podem ser copiadas com um simples clique é por si só um acto de ingenuidade, nos casos em que não adicionamos apenas os nossos melhores amigos... Eesmo esses um dia podem, num ataque de fúria, utilizar informação privilegiada contra nós! Bem agora soou a psicose mas, à parte a caricatura, penso que maior parte de nós não pondera bem os riscos da exposição nas redes sociais, ou simplesmente não possuem insight! (como nos casos que mencionaste) Não é muito diferente daquele desportista que fuma, ou vegetariano (por motivos de saúde) que consomem canabinóides como se não houvesse amanhã... A incongruência humana é realmente muito frequente e pouco compreendida. Tocaste num ponto importante e daqui podíamos começar uma tese de doutoramento! (sugestão de leitura: auto-engano por João Salgado (leste?))

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